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EDITORIAL. MÃE “SÓ” TEM ALGUMAS PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ivana Diniz. Mãe acima de tudo!   
Qua, 01 de Maio de 2013 09:10

Ivana Diniz. Mãe acima de tudo!Ivana Diniz. Mãe acima de tudo!

Tem cada mãe... Sensível, amorosa, respeitosa, leoa, chata, possessiva (essa sou eu), general, bonitona, cuidadosa, religiosa, rigorosa, simples, relaxada com a aparência, preguiçosa, que fala palavrão, que faz o filho pagar mico (quase todas), que quer ser igualzinha aos amigos dos filhos, que usa maquiagem que dá pra tirar com uma pá. Tem aquela que pede pro filho parar de gritar, gritando. Ah! Também a que acha adorável o filho gritar, aquela que gosta de Roberto Carlos, a que gosta do Naldo... aquela que só fala de receitas, a que só fala da vida alheia. Aquela que passa mal cada vez que o filho fala que vai casar! Enfim, tem pra todos os gostos, a minha tinha a capacidade de adivinhar meus sentimentos , tinha uma teoria interessante. Quando me via triste, falava em comida pra alma , e sempre vinha com um caldo, uma comida quentinha e fácil de comer. Na época não entendia, hoje fico pensando o tanto que isso faz sentido , se os sentimentos estão bagunçados, o coração está doendo, uma comidinha dessa é reconfortante, facilita colocar seu interior em ordem. Ela tinha a capacidade de me fazer rir em qualquer situação, apesar de não usar um pingo de maquiagem, roupas exuberantes ou palavras de baixo calão, cantava uma música bem fútil acompanhada de um rebolado na minha frente, me fazia rolar de rir porque não combinava em nada com a sua total discrição. Dava os melhores conselhos e cuidava tanto da gente... todo mundo lá em casa gostava de pera bem macia, e geralmente elas chegavam do supermercado muito duras, passavam-se uns dois dias e ela nos oferecia a pera do jeito que a gente gostava. A vida, ou melhor , a morte levou minha mãe enquanto eu era adolescente de uma forma brusca, tosca, cruel, impiedosa, inevitável e rápida demais. Uma noite conversamos até tarde, contando casos, rindo bastante, foi nosso último contato. Dois dias depois de sua morte, encontrei dentro do armário, quatro peras muito maduras embrulhadas em um jornal.

Agradeço a Deus pelo tempo que tive com ela, não poderia ter tido uma mãe melhor. Há aproximadamente cinco estou mais resignada, ter um filho é maravilhoso, sublime! Agora tenho razões para ser o tipo de mãe que embrulha peras no jornal. 

Última atualização Qua, 01 de Maio de 2013 17:53
 
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