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MEMÓRIAS DE CONFINS: "NÃO MORRE O QUE EXISTE DE IMORTAL..." PDF Imprimir E-mail
Escrito por Rosemira Ribeiro van Wesel   
Dom, 06 de Março de 2011 04:20

“Quando cheguei a Belo Horizonte eu não tinha nada. Hoje tenho uma mulher e três filhas: Rosemira, Rosimare e Rosilene. Todas são formadas e casadas com estrangeiros, todos eles professores.”“Quando cheguei a Belo Horizonte eu não tinha nada. Hoje tenho uma mulher e três filhas: Rosemira, Rosimare e Rosilene. Todas são formadas e casadas com estrangeiros, todos eles professores.”Foi conversando com a docente da Fundação Logosófica e escritora  Marismar Borém, autora do belíssimo livro  SERENAR que me ocorreu escrever algumas recordações do nosso pai. Marismar me disse que anda sempre com papel e lápis para fazer as anotações das idéias que lhe vem à mente. O mesmo procurei fazer para escrever sobre Augusto Ribeiro Dos Reis nascido em Confins em 20 de maio de 1918. Estudou  nesta mesma cidade graças a única professora Raimunda dos Santos Marques, carinhosamente conhecida como Duduca, que segundo ele, era muito bonita e dedicada aos 90 alunos de sua classe, que recebiam as aulas em bancos ao ar livre. Ele e os coleguinhas tinham muita disposição para aprender. Ele deixava a lavoura incentivado pelo seu pai Thieres, que valorizava muito os estudos de seus filhos. Augusto relatava que sua professora, mesmo  tendo um filho por ano,   retornava após as licenças, dedicando-se a importante missão de educar. Se não fosse por ela, as crianças de Confins, naquela época não teriam aprendido a ler e a fazer contas tão bem.

Foi com grande emoção que Augusto viu a foto de sua professora em 2007 quando foi homenageada com seu nome na primeira biblioteca pública da cidade. Muitas recordações felizes vieram a  sua mente. Sempre foi muito grato a sua professora. Aliás esta era uma característica do nosso pai. Ele era um ser grato a tudo quanto possuía e a todo bem que fizessem a ele e aos seus, por menor que fosse.

E assim Augusto , filho de Thieres Ribeiro e Adelaide Francisca dos Reis, estudou até a quarta série, deixou a vida de lavrador junto do seu pai e irmãos e foi trabalhar em Belo Horizonte. Tentou emprego fixo, mas seu espírito de liderança o conduziu a ser comerciante, primeiro vendendo frutas e produtos hortigranjeiros numa pedra que existia na porta do Mercado Central. Com muito trabalho e esforço surgiu a oportunidade de comprar a primeira banca e depois a segunda dentro do próprio Mercado Central. Com seu trabalho, pode educar suas filhas e ensiná-las a  ter gratidão pela vida e por todo o bem que recebessem.

Uma frase que ele costumava dizer é a seguinte: “Quando cheguei a Belo Horizonte eu não tinha nada. Hoje tenho uma mulher e três filhas: Rosemira, Rosimare e Rosilene. Todas são formadas e casadas com estrangeiros, todos eles professores.”

Apesar de ter se mudado para Belo Horizonte há muitos anos, visitava Confins regularmente. Nasceu no número 154 da Rua Contorno, onde um de seus genros, Andreas, abriu um curso de inglês, fato que se orgulhava muito pela valorização que seu genro deu a cidade e pela contribuição que ele estava dando para o progresso cultural do local.

Sentia-se muito feliz por ser de Confins e sempre dizia que gostaria de ser enterrado aqui. Após a emancipação da cidade, presenciei sua grande emoção pelo progresso e reconhecimento mundial da mesma através do Aeroporto Internacional. Quando chegava de carro á cidade,sempre comentava com alegria como ficou bonita a rua da entrada principal, com as suas palmeiras imperiais no canteiro central. Houve uma época que era comum ele ir de ônibus de BH para Confins bem cedinho e voltar no ônibus de meio dia com frutas, mandioca, legumes e notícias dos parentes e amigos.

Quanto a mim, gostar de Confins não foi difícil, muito menos deixar Belo Horizonte e adotá-la como local de residência para a minha família, pois as recordações da infância, o carinho dos moradores e  dos parentes e amigos são constantes.Citação do Sr. Augusto quando fia as palmeiras na entrada da cidade.Citação do Sr. Augusto quando fia as palmeiras na entrada da cidade.

Nosso pai era  muito querido também em Lagoa Santa, Pedro Leopoldo e região. Certa vez fui comprar alguns produtos na rua principal de Pedro Leopoldo e ao me identificar ao dono do negocio como filha do Augusto de Thieres, como era conhecido, recebi abraço, meu dinheiro foi devolvido e a alegria foi geral. Muitas lembranças e abraços foram enviados a ele.

O mesmo aconteceu no Restaurante do Paulo, neto de Saturnino, fazendeiro de Dr. Lund, muito amigo do povo de Confins. Ao levar papai naquele estabelecimento, onde hoje funciona o Restaurante Dona Benta,ele identificou-se muito com o local e recordava muitas passagens da sua infância quando ia a pé de Confins a Dr. Lund e sobre a amizade que existia entre os povos.  Ele era levado para a cozinha do restaurante e era tratado como da família, pois a presença do nosso pai fazia com que ele, o Paulo, recordasse de seu próprio pai. A nossa amizade com o Paulo foi tão grande que comemoramos os 50 anos de casamento dos nossos pais, Augusto e Paulina em Dezembro de 2007, naquele agradável lugar, mesmo com o Paulo presente apenas na nossa memória e nos nossos corações.

Papai conviveu bem, por seis anos com seus dois netos Dennis e Stephanie e com 91 anos bem vividos e muito lúcido.

No dia 21 de setembro de 2009 nos despedimos dele, como ele sempre quis, aqui em Confins.  Mas a despedida foi apenas  física, pois descobrimos que, como ensina Raumsol= NÃO MORRE O QUE EXISTE DE IMORTAL NA ALMA DAQUELES QUE, AO DESPRENDEREM DE SUA FORMA FÍSICA, PERMANECEM PRESENTES NA RECORDAÇÃO DE TODOS.

Última atualização Dom, 06 de Março de 2011 04:37
 
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