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GALPÃO ALÇA VOO RUMO AO DESCONHECIDO COM O NOVO ESPETÁCULO INSPIRADO NO UNIVERSO DE ANTON TCHEKHOV Imprimir
Escrito por Carolina Braga - EM Cultura   
Ter, 06 de Dezembro de 2011 01:25

Eclipse não conta história linear e os personagens não têm nomes, são gnomons numerados de 01 a 05. Foto: Miguel Aun/DivulgaçãoEclipse não conta história linear e os personagens não têm nomes, são gnomons numerados de 01 a 05. Foto: Miguel Aun/Divulgação

Para sair de uma zona de conforto é preciso, no mínimo, coragem. Eclipse, nova montagem do Grupo Galpão, é isso: um ousado movimento de artistas que, do alto de sólida carreira de quase 30 anos, pisa no freio e se pergunta: "Quem somos nós?". E não pense que as respostas são traduzidas em cena. Pelo contrário. Assim como os russos, o Galpão demonstra ter "preferência especial por questões que permanecem sem respostas", como diz o texto. Eis o acerto.

Dirigido pelo russo radicado na Alemanha Jurij Alschitz, Eclipse é a segunda investida do grupo no universo do contista e dramaturgo Anton Tchekhov. Mais que fragmentos da dramaturgia de As três irmãs e O jardim das cerejeiras, ou de contos como A groselheira, O duelo, A flauta e outros, são as provocações filosóficas deixadas pelo escritor no rastro de sua obra que alimentam a peça. Chico Pelúcio, Inês Peixoto, Júlio Maciel, Lydia Del Picchia e Simone Ordones tinham algo a dizer – ou será refletir? – e fizeram de Tchekhov espécie de instrumento, sob a batuta de Jurij.

Não há uma história linear. Não há ação. O cenário se resume a uma parede, uma porta preta, um tablado e cinco cadeiras. São poucos também os adereços, assim como as cores. Apenas branco, preto, vermelho e um pouco de azul. Seria a atmosfera perfeita para o tédio se o vazio não fosse preenchido por palavras, ou melhor, pelo que é mais básico no teatro: a arte de interpretar um texto. É aí que o Galpão aprofunda seu exercício e, de quebra, brinca com limites da ficção e da realidade.

Quebras, aliás, são constantes na montagem. O figurino é uma viagem "modernosa" à vanguarda russa. Os personagens não têm nomes. São gnomons numerados de 01 a 05, que, à espera do fim de um eclipse solar, discutem sobre felicidade, fé, pecado, talento e caos. Os temas surgem como se fossem fases de um jogo em que o público é convidado a embarcar. Nessa onda, os gêneros também se misturam. Entre a comédia e o drama, o absurdo é um flerte permanente.

Durante os 90 minutos de Eclipse, o Galpão usa o humor para chamar a atenção para a metalinguagem. É quase como se falassem: caro público, somos atores, estamos fazendo teatro e isso pode mesmo parecer sem sentido. Mas será que devemos procurar sentido para coisas, para a vida, para o teatro?

Eclipse estreou mas, assim como para as groselhas ou para as cerejas de Tchekhov, a madurez ainda pode fazer muito bem. É nítido que a peça demanda dos atores uma postura diferente da que tinham até então. Há tanto tempo acostumados com uma comunicação direta com a plateia, é natural que o novo cause certa insegurança. Mas nada que o tempo não atue a favor. O caminho está traçado. É hora de voar.

ECLIPSE

Com o Grupo Galpão. Galpão Cine Horto, Rua Pitangui, 3.616, Horto, (31) 3461-1734. De quinta a sábado, às 21h; domingo, às 19h. Ingressos:

às quintas e sextas, R$ 24 (inteira) e R$ 12 (meia); sábados e domingos, R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Última atualização Ter, 06 de Dezembro de 2011 01:32
 



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