Homossexuais protestam contra visita de Bento XVI com um ‘beijaço’
Bento XVI foi recebido com animação por centenas de milhares de jovens fiéis (Emilio Naranjo / EFE)
O papa Bento XVI denunciou nesta quinta-feira em Madri o "assédio e a perseguição que os cristãos sofrem em muitos países" e fez uma chamada à "convivência respeitosa" entre cristãos e membros de outras religiões. O Pontífice ainda pediu aos cristãos que "não se envergonhem" de Cristo.
A visita do papa acontece devido à 26ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ), da qual participam centenas de milhares de jovens de 193 países que o receberam agitando bandeiras coloridas e lançando sobre o papamóvel uma chuva de confetes.
Já no avião que o transportava de Roma a Madri, Bento XVI expressou sua preocupação pela crise econômica e, em conversa com os jornalistas que o acompanhavam, falou sobre os jovens desempregados. "A crise econômica é também de ética", afirmou o papa, avaliando que o ser humano tem que ser o centro da economia e não o contrário.
Assédio - Chegando à Madri, o papa denunciou o "assédio e desprezo" que sofrem os cristãos em numerosos locais, especialmente no cada vez mais secularizado Ocidente, onde, segundo ele, tenta-se "silenciar até o nome de Cristo". "Não são poucos, por causa de sua fé em Cristo, que sofrem discriminação, o que leva ao desprezo e à perseguição que sofrem em determinadas regiões e países", lamentou.
O pontífice, de 84 anos, pediu ainda aos jovens cristãos que não tenham medo e não se envergonhem de Cristo e mais uma vez advertiu contra a "superficialidade, o consumismo e o hedonismo imperantes". "Os jovens veem a superficialidade, o consumo e o hedonismo reinantes, a banalização da sexualidade no momento de vivê-la, em meio a tanta falta de solidariedade, tanta corrupção!", lamentou.
Quando foi recebido pelos reis da Espanha, Juan Carlos e Sofía, e pelo presidente do Governo, José Luis Rodríguez Zapatero, Bento XVI afirmou que admira a Espanha por sua rica história e cultura e pela vitalidade de sua fé.
Protestos - Contudo, ante a pompa da recepção e o custo da visita - 50,5 milhões de euros, segundo os organizadores - os defensores de um estado leigo se mobilizaram. Na quinta-feira à tarde, um grupo de defesa de homossexuais e transexuais tentava se misturar à festa, protestando com uma sessão de beijos. Os manifestantes laicos planejam também um novo protesto através das redes sociais contra a atuação da polícia na noite de quarta-feira, quando oito pessoas foram detidos e 11 ficaram feridos,
Na quarta-feira à noite, milhares de defensores da laicidade haviam se manifestado na capital espanhola, aos gritos de "sou pecador, pecador, pecador". "Essas pessoas tentaram roubar meus pertences, dizendo que era tudo deles. Mas eu ajudei a pagar o evento", alegou Jesus Godoy, apontando para a mochila vermelha e laranja que cada peregrino recebe em troca do pagamento da inscrição na JMJ.
Atentado - Também nesta quinta-feira, o voluntário mexicano da Jornada Mundial da Juventude que planejava um ataque contra a marcha laica foi libertado pelo juiz Fernando Andreu. Porém, o magistrado o acusou de ameaças contra um grupo social, o que poderá lhe render até três anos de prisão. O mexicano terá de comparecer diariamente à delegacia mais próxima de sua casa e não poderá deixar a Espanha durante as investigações.
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