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ZÉ CANELA E OS BONS E SOFRIDOS TEMPOS DO FUTEBOL PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ivana Diniz   
Seg, 25 de Julho de 2011 23:50

Na coluna MEMÓRIA DE CONFINS deste mês, além da memória fotográfica, que já é comum. também teremos a memória viva do Senhor José Cândido da Silva, o Zé Canela. Ele já completou 84 anos, nascido em 26 de outubro de 1926 mora ainda na mesma casa em que nasceu em Confins.

Memória viva de Confins: Zé Canela e o futebol. Foto: Ivana DinizMemória viva de Confins: Zé Canela e o futebol. Foto: Ivana DinizPortal de Confins - Qual é a recordação que o senhor guarda da infância?

Conheci apenas minha mãe, era uma mulher rígida demais, meu pai eu não conheci era João Candido da Silva. A infância aqui era plantar feijão, batendo enxada, limpando. Depois casei, criei a família, mas fiquei viúvo. Depois que eu fiquei viúvo, me casei de novo com a Marta.  É muito ruim ficar sozinho. É o companheirismo mesmo. Minhas filhas todas eu pelejei para que elas melhorassem na vida. A Cléia, minha filha mais velha foi e ainda é, uma mãe pra família toda.

PC - Como começou a vida esportiva?

Recebi um convite para ir para o Vila Nova, um time lá de Nova Lima. Eu, o Jota e o Tavinho, muito bom jogador, irmão do Vitor.

PC - E o time aqui em Confins, Aliança ou Bom Sucesso?

No começo só existia o Aliança, depois é que surgiu o Bonsucesso. Pra fazer o Aliança nós lutamos, colocamos a mão na massa mesmo. Nós tínhamos dois conjuntos de música, eu tocava cavaquinho. Era um grupo que tocava “choro”, inclusive o marido da D. Cíntia também tocava nesse grupo. Para o carnaval também existiam dois blocos, a disputa era acirrada, mas não chegava a ter briga não, mesmo quando os blocos vindo dos clubes se encontravam. Tinha baile e bom.

PC - Quais outros times o senhor jogou?

Joguei em Pedro Leopoldo no Industrial e no Independente e no Vila Nova. Quando eu era do Aliança, nós jogávamos contra o time de Pedro Leopoldo, era difícil a gente perder. Fiquei em Nova Lima um ano, numa pensão de gente da minha família mesmo.

PC - Então o senhor chegou a jogar profissionalmente?

Eu fui com 21, 22 anos pra Nova Lima. Tenho muitos amigos lá ainda, se Deus ainda não levou. 

PC - A profissão era reconhecida?

Nada, ganhávamos muito pouco. Não dava só para jogar futebol, não. Íamos a pé até Dr. Lund, pegávamos um trem  até General Carneiro e de lá outro para Nova Lima. Olha, a gente ganhava, acho que uns R$600,00. Hoje se o rapaz tem dinheiro, ele não quer trabalhar e mesmo quem não tem faz corpo mole também. O Vila Nova também não era um time forte igual o Cruzeiro ou Atlético, não tinha dinheiro pra pagar bem.

PC - O que o senhor acha dos jogadores de hoje?

Ah! A gente ouve aí que eles não querem acordar cedo pra treinar, mesmo só jogando futebol. Vi outro dia, a mãe de um jogador que foi pro Corinthians, ela ficou boba por que ele ia ganhar mais de R$ 1milhão. Na nossa época a gente não bebia, tinha que andar direito, e a gente gostava mesmo de jogar futebol.

PC - O senhor ficou muito tempo no Vila Nova?

Não, acho que fiquei só um ano, de lá eu vim embora trabalhar em PL e jogar no Industrial. Eu vim trabalhar na fábrica, comendo farelo de algodão o dia inteiro. Aquilo fazia um mal pro meu pulmão, me atacava a alergia, atrapalhava, eu já não conseguia correr como antes no campo. Logo eu saí e fui trabalhar na indústria. Eu ia de bicicleta no escuro, chovendo. Furando pedra, trabalhava de segunda a sábado, jogava domingo, segunda estava agarrado de novo no trabalho. Tive até muitos convites pra jogar profissionalmente, mas não fui mais. Jogava só aqui em Confins.

PC - Já sofreu algum acidente em jogo?

Eu era um jogador muito rápido, era muito marcado. Em um dos jogos que fui emprestado para o Aliança, um rapaz chamado Noel, veio com toda força disputando a bola, saí desse jogo com a perna quebrada, fiquei a noite toda com dor, só no outro dia fui levado pra Belo Horizonte. Fiquei alguns meses sem poder jogar. Mas, até hoje sou amigo do Noel, era uma coisa que acontecia mesmo.

PC - Qual é o conselho que o senhor daria para os jogadores de hoje?

Hoje o povo briga demais, se eu perdi, eu vou embora. Vejo os rapazes batendo uns nos outros tanto no campo quanto na arquibancada. No nosso tempo não tinha isso. Até dentro do campo mesmo eu vejo uns jogadores brigando. Então se o time ganhou o outro quer bater, a gente vê que eles saem quebrando tudo, batendo nos outros. O conselho que eu dou é para ser melhor, ser um bom jogador. Um dia um ganha o outro perde, no jogo é assim.  

Última atualização Sex, 26 de Agosto de 2011 06:45
 
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