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Missão Arqueológica Franco-Brasileira de Minas Gerais
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| O LOCAL DA DESCOBERTA – O mais antigo fóssil da América foi encontrado nesta caverna, a 13 metros de profundidade |
Tesouro na caverna – O grupo do qual Luzia fazia parte é conhecido como "Homens de Lagoa Santa", nômades coletores que viveram na região onde hoje se localiza esse município, perto de Belo Horizonte. Os primeiros ossos foram recolhidos ali pelo naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund, na primeira metade do século passado. Boa parte deles se encontra atualmente no museu da Universidade de Copenhague. Até as pesquisas feitas pelo arqueólogo Walter Neves ninguém sabia a dimensão do tesouro que as cavernas escondiam. "Quando fizemos os primeiros estudos com os crânios, ainda nos anos 80, ficamos boquiabertos com as comparações", lembra Neves. "Era inconcebível que tivéssemos crânios antigos de negróides. O esperado era encontrarmos populações mongolóides, que são as características dos ancestrais dos nossos índios."
Nos últimos anos, a nova tese sobre a ocupação da América, formulada por Walter Neves e seu parceiro de pesquisa Héctor Pucciarelli, ganhou força com a descoberta de outros crânios humanos em diversos pontos do continente. São todos de origem mais recente do que a de Luzia, mas, igualmente, apresentam características não compatíveis com as dos mongolóides e índios atuais. É o caso do homem de Kennewick e de Spirit Caveman, achados na América do Norte e datados de cerca de 9.000 anos. As mesmas configurações cranianas de Luzia foram encontradas em fósseis de cerca de 9.000 anos perto da cidade colombiana de Tequendama e na Terra do Fogo, do outro lado do Estreito de Magalhães, nos confins da América do Sul. No Brasil, já se sabe que no município de Monte Alegre, no Pará, escarpas rochosas eram habitadas havia mais de 11.000 anos. Lá, numa região chamada Pedra Pintada, a arqueóloga americana Anna Roosevelt, uma das maiores especialistas em arqueologia amazônica do mundo, encontrou uma coleção impressionante de pinturas rupestres. No vale do Rio Peruaçu, norte de Minas, também foi localizada pelo arqueólogo André Prous, da Universidade Federal de Minas Gerais, uma belíssima coleção de desenhos e pinturas nos paredões rochosos que datam da mesma época.
Todas essas novidades arqueológicas ajudaram a reformular as antigas teorias sobre a ocupação da América. Hoje, os principais centros de estudos já trabalham com a hipótese de que quatro ondas migratórias vindas da Ásia chegaram ao continente americano. A primeira é a defendida por Neves e Pucciarelli. A segunda onda é formada pelos povos mongóis, de 12.000 anos atrás, que deram origem aos índios de hoje. A terceira é dos chamados nadenes, povo que se estabeleceu na costa oeste americana. A quarta é a corrente migratória composta pelos esquimós. Os arqueólogos calculam que essas duas últimas chegaram à América entre 5.000 e 10.000 anos atrás.
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